Guarituba coberta de mananciais

E possível tornar em um modelo sustentável um território com graves e complexos problemas ambientais e sociais?

Como integrar esse modelo como eixo de desarrolho para uma cidade com alto nível de ocupação irregular de baixa renda, com mais de 45% de sua população baixo a linha de pobreza?

De que maneira se poderia incorporar a paisagem como ponto clave de identidade e ensino de estas questões?

Como isso influi no desenho e geração dos parques a ser pensados?

Localizada em uma área de extrema fragilidade ambiental, Guarituba é o maior assentamento em área de manancial no Brasil, e é, além disso, um território estratégico, já que abastece grande parte da Região Metropolitana de Curitiba. Três importantes rios que desembocam no Iguaçu marcam o recorte territorial deste trabalho.

O nosso projeto tem como premissa tomar partido desse cenário de contrastes e suposta incompatibilidade, ocupação humana em área de grande interesse ambiental. E por isso que a solução do problema hídrico é o fator de maior importância neste trabalho.

Problema = Assentamento humano em uma área de suma fragilidade ambiental.

Estratégia = Tomar partido dessa aparente contradição, tornando o conflito em potencialidade / solucionar o problema hídrico como desencadeante do projeto.

Como solução a principal problemática, a questão hídrica, propomos o uso do dispositivo hidráulico criado pelo arquiteto italiano Giussepe Volpe. Esse sistema alternativo de captação de água de chuva tem o fim de aproveitar ao máximo a água, antes que essa chegue a um curso hídrico.

Fazendo alusão formal a um guarda chuva invertido, esses capta-chuva se conformam numa estrutura "simples", porém eficientes neste contexto, permitindo a solução a múltiplos problemas do território. O sistema e pensado para o máximo reaproveitamento da água limpa recolhida pelos capta chuvas. Esta será reusada ou armazenada segundo o volume chuvas. Existem diversas atividades que precisam de água não necessariamente tratada, essas se abasteceram diretamente pela red hídrica pensada, desde os capta-chuvas ou logo de se armazenar em cisternas . O resto se transportara a uma estação de tratamento localizada num ponto estratégico da cidade para sua ótima distribuição. Só em casos de desbordes a água se trasladara pela represa Piraquara II.

Planta geral esquemática
Planta geral esquemática

Existe em Guarituba um grave problema de saneamento. Alem de contar com uma frágil rede de saneamento, atualmente em vias de melhoramento, e um área sumamente inundável, com solo freáticos elevados e por tanto desbordando a sua capacidade em dias de chuva.

O sistema adotado diminui o impacto das fortes chuvas da região no saneamento da cidade, captando e transportando água desde pontos altos do território, que drenariam todo este volume a pontos baixos, mais inundáveis. E por isso que os desbordes são atenuados assim como o Ascenso da água de saneamento. Pero também a água limpa de chuva se protege, não entrando em contato com essa água poluída e altamente contaminante pela saúde humana, facilitando ademais o tratamento posterior da mesma.

Planta geral dos parques
Planta geral dos parques

De estrutura leviana, é construído com materiais altamente resistentes: PVC, teflon e nylon. A membrana que envolve o capta-chuva tem uma cavidade, entre a camada exterior e interior, contendo gás Helio.

A estrutura interna se sustenta sob o ar à cota variável e a estrutura externa pela força que exerce o gás sob essa. O cálculo da força que o gás exerce é simples.

Pelo Teorema de Arquimedes se conhece a força que atua na estrutura, o que permite que ela se sustente no ar, em equilíbrio estático com uma carga prefixada.

Esse princípio físico justifica como a estrutura se sustenta a uma cota “h” do solo e se deriva de que um corpo imerso em um fluido recebe uma força igual ao peso do volume,nesse caso o ar.

A fixação na terra é um sistema adaptável que consiste em uma fina cavidade de aço que funciona tensionada. Desse modo é simples obter estabilidade complementar, principalmente da força do vento. Na parte baixa do elemento se engancha um tubo de polipropileno que permite a passagem da água, transportando-a diretamente à rede hídrica ou a uma cisterna sob a terra.

Pela forma e disposição essa instalação permite a captação e transporte de água, sem contato com o solo, a diversos pontos do território e sem sistemas mecânicos de traslado.

A intervenção proposta gera um espaço social e dialoga diretamente com a população que se beneficia dele. A cidade se transforma em um Ícone, uma esperança, um território que progride e se desarrolha, gerando também possibilidades de crescimento econômico mediante as distintas aplicações em que o sistema deriva.

Elevações
Elevações

Também, e uma forte landmark, que estabelece uma particular relação com o espaço e tempo, conformando uma clara referência de lugar, uma imagem de fácil reconhecimento e entendida pela população. Ainda, se transforma em uma referência de educação madioambental, os cidadãos incorporam e se vem envoltas no próprio sistema e entendem assim a importância do cuidado aos ecossistemas e do território e ajuda a virar a sua conduta neste caminho. Reativa se desta maneira um território com uma forte conotação de fragilidade e insustentabilidade, de suma importância municipal e regional. Este inverte a sua condição com um sistema leve pero forte e consistente em sua solução, tornando a cidade toda num exemplo de cuidado ao ambiente e sustentabilidade.

ficha técnica

Autoras
Agustina Tierno, Lucia Barreto

Colaboradoras
Renata Andreia, Joana Milano