Este é o quarto de uma série de cinco artigos que descrevem, em cinco pausas, o Pateo do Collegio, no Centro Histórico de São Paulo. Depois de visitar o Museu Anchieta, a Praça Ilhas Canárias e os sobrados da aristocracia (1), chega-se à quarta pausa: a Igreja Anchieta.

O percurso pelo Pateo e seu entorno continua pela Rua Roberto Simonsen onde, ao lado esquerdo da fachada da Casa Número Um, está o acesso ao estacionamento que fica ao fundo do Pateo. Ao lado desse acesso, chega-se à quarta pausa, a qual se adentra pela porta do Memorial da Companhia de Jesus, onde há uma pequena sala destinada para venda de artefatos religiosos e souvenires do Pateo. Na sala do memorial está o balcão de credenciamento para ingresso na biblioteca Padre Vieira, que fica no subsolo da construção, onde há interessante acervo, repleto de material religioso e da história jesuíta. De volta ao andar térreo, pode-se visitar a nave central da igreja e o oratório (fig. 02) que presta tributo à memória do Beato José de Anchieta onde, além de textos e imagens sobre sua vida devota à religião, encontram-se em exposição duas relíquias, a saber: um manto por ele usado durante suas missões, e parte de seu fêmur...

Igreja Anchieta, nave central, fev. 2013
Igreja Anchieta, nave central, fev. 2013

Geraldo Dutra Moraes, no seu livro em homenagem ao Pateo, descreve minuciosamente cada altar e a capela-mor da igreja, cativado pela presença espiritual dos “veneráveis fundadores de Piratininga”, além de honrar o solo sagrado com poesia de Oliveira Ribeiro Neto:

Neste pátio sagrado, ajoelhada,
minha raça bendiz a honra bendita
em que pôde trazer-te, comovida,
minha terra de heróis predestinada –
o primeiro troféu que Deus te deu (2).

Igreja Anchieta, nave central, fev. 2013
Igreja Anchieta, nave central, fev. 2013

Essa forte e insistente presença da fé religiosa no Pateo do Collegio lhe confere um dos aspectos de lugar nomeado por Relph como “espírito de lugar”, ou genius loci, que é a ideia de que há lugares que foram habitados por deuses e espíritos, cujas evidências são concretamente observadas no lugar, sejam cerimônias religiosas e/ou construções. Mais do que simplesmente constatar a existência de elementos concretos que configuram esse aspecto particular do lugar, sua relação com o genius loci torna-se relevante não apenas porque eleva o sentido de lugar, mas, como anota Relph “o espírito de lugar é associado apenas a lugares excepcionais” (3)... tal como é o Pateo do Collegio.

Igreja Anchieta, fev. 2013
Igreja Anchieta, fev. 2013

notas

1
Este é o quarto de uma série de cinco artigos que descrevem, em cinco pausas, o Pateo do Collegio, no Centro Histórico de São Paulo. Os artigos da série são os seguintes:

FORTUNATO, Ivan. Geopoética no centro histórico de São Paulo. A primeira pausa do Pateo do Collegio. Minha Cidade, São Paulo, ano 16, n. 186.01, Vitruvius, jan. 2016 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/16.186/5868>.

FORTUNATO, Ivan. Geopoética no centro histórico de São Paulo. A segunda pausa do Pateo do Collegio, a Praça Ilhas Canárias. Minha Cidade, São Paulo, ano 16, n. 187.02, Vitruvius, fev. 2016 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/16.187/5923>.

FORTUNATO, Ivan. Geopoética no Centro Histórico de São Paulo. A terceira pausa do Pateo do Collegio, os sobrados da aristocracia. Minha Cidade, São Paulo, ano 16, n. 188.04, Vitruvius, mar. 2016 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/16.188/5974>.

FORTUNATO, Ivan. Geopoética no Centro Histórico de São Paulo. A quarta pausa do Pateo do Collegio, a Igreja Anchieta. Minha Cidade, São Paulo, ano 16, n. 189.03, Vitruvius, abr. 2016 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/16.189/5983>.

FORTUNATO, Ivan. Geopoética no Centro Histórico de São Paulo. A quinta pausa do Pateo do Collegio, o Largo Pateo do Collegio. Minha Cidade, São Paulo, ano 16, n. 190.02, Vitruvius, maio 2017 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/16.190/6024>.

2
RIBEIRO NETO, Oliveira. Apud MORAES, Geraldo Dutra de. A igreja e o colégio dos jesuítas de São Paulo. São Paulo, Prefeitura do Município, 1979, p. 98.

3
RELPH, Edward. Reflexões sobre a emergência, aspectos e essência de lugar. Tradução de Eduardo Marandola Junior. In: MARANDOLA JUNIOR, Eduardo; HOLZER, Werther; OLIVEIRA, Lívia (Org.) Qual o espaço do lugar?: geografia, epistemologia, fenomenologia. São Paulo: Perspectiva, 2012, p. 23.

sobre o autor

Ivan Fortunato tem pós-doutorado em Ciências Humanas e Sociais pela UFABCS. Doutor em Geografia pela Unesp. Líder do Núcleo de Estudos Transdisciplinares em Ensino, Ciência, Cultura e Ambiente (NuTECCA). Editor da revista Hipótese e coeditor da Revista Internacional de Formação de Professores e da Revista Brasileira de Iniciação Científica. Professor do IFSP/Itapetininga.