O Centro Cultural Correios Rio apresenta Jardim de Memórias – Parque do Flamengo 50 anos, exposição comemorativa do cinquentenário do Parque do Flamengo, resultado da monumental obra de Affonso Eduardo Reidy, Lota de Macedo Soares e Roberto Burle Marx. A exposição se compõe de quase uma centena de reproduções fotográficas realizadas durante a construção e contemporâneas, desenhos de Burle Marx, plantas de arquitetura, além de vídeos, celebrando os 50 anos do Aterro e do Parque do Flamengo e aqueles que não só o conceberam, mas souberam guardar viva a ideia desse imenso jardim de todos os cariocas.

Guindaste trabalhando na instalação de tubulação, Praia do Flamengo
Guindaste trabalhando na instalação de tubulação, Praia do Flamengo

Inaugurado em 1965, no IV Centenário da Fundação da Cidade do Rio de Janeiro, hoje, portanto, festejando seus 50 anos, o Parque do Flamengo – também chamado simplesmente de Aterro – não é uma obra qualquer. Incrustado no coração da metrópole carioca, ele é seu espelho, sua alma, e a memória mais potente daquilo que poderíamos chamar de "a aventura americana", algo que o próprio Rio de Janeiro sintetiza e ao mesmo tempo desafia.

Máquinas e trabalhadores trabalhando nas obras do Parque do Flamengo
Máquinas e trabalhadores trabalhando nas obras do Parque do Flamengo

Em seus mais de 7 km de extensão, os limites entre cidade e natureza ou entre projeto e história se fundem, balizados pelo Pão de Açúcar e pelo Corcovado. Diante da grandiosidade e da harmonia do sítio geográfico da Baía da Guanabara, o Parque do Flamengo atualiza e articula as diferentes respostas – arquitetônicas, urbanísticas e paisagísticas que, desde o século 18, vêm sendo dadas ao desafio de construir e viver em uma cidade às portas de um paraíso, palavra que, como se sabe, originalmente designava um jardim.

Parque do Flamengo
Parque do Flamengo

A exposição Jardim de Memórias – Parque do Flamengo 50 anos enfoca esses sucessivos gestos de construção de jardins e parques na frente marítima do próprio "jardim" que é a Baía de Guanabara. A história dessa área e dos seus projetos urbanísticos e paisagísticos, até culminar no Aterro e Parque do Flamengo, realizado por Affonso Eduardo Reidy, Lota de Macedo Soares e Roberto Burle Marx, se confunde com a dos 450 anos da cidade e vem sendo lida como um dos mais belos presentes que o Rio de Janeiro deu a si próprio, graças à inteligência técnica, política, administrativa e estética de seus criadores. Diante das constantes ameaças a que o Parque do Flamengo é exposto, é importante, para melhor preservá-lo, conhecer a sabedoria e o esforço implícitos nesses gestos construtivos que se sucederam através do tempo.

Vista aérea do Parque do Flamengo
Vista aérea do Parque do Flamengo

nota

NE – Jardim de Memórias – Parque do Flamengo 50 anos, curadoria de Margareth da Silva Pereira. Centro Cultural Correios Rio, de 30 de setembro a 29 de novembro de 2015.

sobre a autora

Margareth da Silva Pereira, curadora, arquiteta, urbanista, doutora em História pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ. Vem realizando conferências em diversas instituições de ensino superior no Brasil e no exterior. É autora de livros, capítulos de livros, artigos e exposições nas áreas dos estudos culturais, principalmente nos campos da arte, da arquitetura, do urbanismo e do paisagismo, tendo como foco, sobretudo, o Rio de Janeiro. Vem se dedicando também a análise dos discursos historiográficos (sobre e no) campo brasileiro nestas áreas.

A 3ª foto: 1- Praia do Flamengo - acervo do engenheiro Raimundo de Paula Soares ( cedida por sua filha Nair de Paula Soares)

 

A 4ª  Fotógrafo Cesar Barreto

A 5ª: