O avanço da urbanização desencadeia exorbitantes taxas de impermeabilização do solo, e consequentemente o aumento do volume de escoamento superficial na macrodrenagem.
Entretanto, a solução encontrada pelos administradores públicos para mitigar os impactos desencadeados pelo aumento da vazão, ocorre através da retificação dos cursos d’água, e representa aumento na velocidade de escoamento, deslocando o “problema” de drenagem à jusante (fundo de vale), sem resolver a causa das inundações e alagamentos urbanos, cada vez mais frequente em cidades brasileiras.
Tendo em vista, que a falta de controle na ocupação à montante provoque aumento da vazão, e a necessidade de ampliar o canal, tal saída acaba tornando-se inviável pela carência de espaço disponível.
Consequentemente, o incentivo à ocupação de suas margens e o aumento das áreas impermeabilizadas a montante ocasiona acúmulo das águas nas áreas a jusante, provocando novas enchentes. Após a execução das obras de drenagem a problemática é maior, já que não existe faixa de permeabilidade considerável em suas margens.
A partir da mudança de paradigma existente, ou seja, o incentivo as práticas sustentáveis em drenagem em detrimento às milionárias obras de macrodrenagem, a população sente-se capaz de transformar a paisagem urbana positivamente. As designações para as técnicas sustentáveis em drenagem urbana (1), que surgiram e são amplamente utilizadas em países desenvolvidos, são:
a) BMP – Best Management Practices;
b) LID – Low Impact Development;
c) SUDS – Sustainable Urban Drainage systems;
d) WSUD – Water Sensitive Urban Design;
e) GI – Green Infrastructure.
Dentre os dispositivos recomendados pelas referidas técnicas: microrreservatório, pavimento permeável, poço de infiltração, jardim de chuva, faixa gramada, vala de infiltração, trincheira de infiltração e telhado verde, os quais, realizam o controle na fonte, contribuem para a retenção no lote, evitando assim inundações a jusante.
Além da execução dos sistemas de drenagem sustentável em áreas públicas e particulares, os projetos de infraestrutura devem ser eficientes, abaixo medidas estruturais e não-estruturais a serem ponderadas para um planejamento urbano verdadeiramente sustentável:
a) estímulo a concepção de parques, reservas e zonas ambientais imprescindíveis para a preservação dos cursos d’água, áreas de recarga do lençol e ampliação da permeabilidade. As áreas verdes interligadas formam corredores ecológicos urbanos que contribuem efetivamente para a qualidade de vida urbana;
b) monitoramento e restrição à ocupação das áreas alagáveis;
c) incentivos fiscais para os imóveis com sistemas de retenção, detenção, infiltração e reuso das aguas pluviais;
d) organização e distribuição periódica das equipes de limpeza e manutenção dos Sistemas de Drenagem Urbana, tanto da microdrenagem (sarjetas, bocas-coletoras, poços de visita), quanto da macrodrenagem (galerias, canais, etc.);
e) incentivo à aprovação de projetos de loteamentos e multirresidenciais com certificação “verde”;
f) implementação das técnicas sustentáveis por meio de campanhas, ações, programas e projetos educacionais divulgando assim a importância dessas técnicas para otimização da rede de drenagem urbana, tornando os cidadãos participativos.
Conclui-se que a publicização das técnicas de drenagem sustentável junto aos profissionais e empreendedores e o respectivo incentivo à aplicabilidade das mesmas pela população gera ações imediatas que garantem a sustentabilidade urbana, incorporando conceitos de qualidade ambiental, uso racional de recursos, e principalmente a aplicação de métodos eficazes que contribuam para o manejo e controle do escoamento superficial, impedindo assim a ocorrência de enchentes, inundações e alagamentos urbanos.
notas
1
Para saber mais sobre o assunto, ler: GUTIERREZ, Adriana Idalina Rojas; RAMOS, Ivanete Carpes. Drenagem urbana sustentável para a concretização de metas de ODS/ONU. ArchDaily Brasil, 04 jul. 2019 <https://bit.ly/2QHpSBG>; GUTIERREZ, Adriana Idalina Rojas; RAMOS, Ivanete Carpes. Manual de drenagem sustentável. Ebook, 2019.
sobre as autoras
Adriana Idalina Rojas Gutierrez é pós-graduada em Gestão da Drenagem Urbana – Programa de Pós-graduação da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Geografia – FAENG da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS.
Ivanete Carpes Ramos é pós-graduada em Gestão da Drenagem Urbana – Programa de Pós-graduação da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Geografia – FAENG/ UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)