No dia 10 de abril, quarta-feira passada, iniciou-se o processo de demolição da vila localizada na rua Conselheiro Rodrigues Alves n. 289, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo. A presença da retroescavadeira e o barulho alertaram alguns moradores das redondezas que, junto a outras pessoas preocupadas com a preservação do patrimônio da Vila Mariana, se mobilizaram para impedi-la.
Nesse momento, descobriu-se que o pedido de abertura de um processo de tombamento da vila, protocolado em 2006, não havia sido analisado e, sem um parecer técnico, nunca tinha ido a votação no Conpresp. A vila está sem ocupantes desde dezembro de 2017.
Construída na década de 1930, a vila é um exemplar de um modo de habitar no bairro que está sendo rapidamente eliminado pelo processo de verticalização. Possui uma qualidade ambiental pela forma de disposição das unidades; a relação entre espaços abertos e as unidades construídas e qualidade arquitetônica das unidades presente nas soluções formais, nos elementos construtivos utilizados, nos acabamentos refinados (balcões torneados, revestimentos em argamassas trabalhadas), de estilo eclético/neocolonial, preservados até hoje.
Tal preservação das características originais – a vila nunca passou por uma reforma –, se deu em grande parte por ela ter pertencido, até muito recentemente, a uma mesma família.
A vila tem um espaço de convivência circular como uma pequena praça/ pátio com uma enorme amoreira ao centro, e o jardim possui mais de 50 árvores catalogadas. Como a vila nunca teve portão, esse espaço era utilizado pela comunidade do bairro, o que explica a força da mobilização que se fez em torno dela. Foi a compreensão desta importância que motivou a sociedade civil a pedir o tombamento em 2006.
Graças à essa mobilização de moradores e profissionais conscientes do valor histórico, social e ambiental, o pedido de abertura de processo de tombamento da vila foi a votação no Conpresp nessa segunda-feira, dia 15 de abril, treze anos depois de ter sido protocolado.
sobre o autor
O coletivo Chácara das Jabuticabeiras foi formado por moradores e vizinhos da vila residencial da Vila Mariana, que se organiza para preservar os paralelepípedos e a vegetação, além de defender a permanência da vila.