O projeto particularizado do centro histórico de Agudos elaborado pelo Grupo SITU sob coordenação do prof. Dr. Adalberto Retto Júnior (Unesp – Bauru/ Prof. do Master Erasmus Mundus da Universidade Sorbonne - Fr) com consultoria da equipe do Urbanista Italiano Prof. Dr. Bernardo Secchi (IUAV de Veneza - It), que começa a ser implantado pela equipe do Prefeito Everton Ottaviani, coloca-se como um marco histórico na cidade de Agudos do ponto de vista urbanístico: ao invés de recorrer às formulas ultrapassadas, como os calçadões que foram disseminados como símbolo do planejamento urbano da cidade de Curitiba (1972), concebe uma proposta inovadora a partir da criação de um sistema de espaços livres e estacionamentos, utilizando o conceito de percolação para o miolo da quadra tradicional, que irá promover um processo efetivo de qualificação e valorização do comércio e da sociabilidade do local.
O projeto, que prevê a utilização do interior das quadras como um sistema desenvolvido de 4 em 4 quadras, denominados pela equipe de “superquadras”, propõe a coletivização dos espaços privados dos interiores das quadras. Logo, os quintais subutilizados (situação identificada em campo a partir de pesquisas in loco) passarão a ter uma utilização coletiva. Não é a transformação do espaço privado em espaço público, mas a apropriação coletiva do espaço privado.
O cenário desenvolvido já apresentado à população, e aprovado pelo Prefeito e vice-prefeito da cidade, não isola o centro do tráfego do automóvel, mas multiplica em 5 vezes a capacidade de absorção de estacionamento deste meio de transporte na zona central da cidade – uma demanda latente nos tempos atuais que quando não observada em tempo leva à falência do comércio e à degradação do comércio e à degradação das áreas centrais, vide o calçadão de Curitiba e de outras cidades do Brasil que reproduziram o modelo.
Com a qualificação do comércio e do eixo central como um todo, tenta-se reverter o processo de evasão da habitação do centro histórico. Na realidade, cada interior de quadra, que será transformado em um pequeno mall, terá uma resolução projetual individualizada como forma de enriquecer e dar complexidade ao tecido urbano; mas também servirão como pontos de sociabilidade, que levará a um aumento considerável da segurança do centro da cidade.
Do ponto de vista urbanístico, a cidade potencializa sua capacidade de oferecer espaços livres de qualidade para a população. Do ponto de vista econômico, além de ampliar a oferta de estacionamento, o projeto chega a dobrar a capacidade de exposição das vitrines, uma vez que o comércio passa a ter duas fachadas: uma tradicional voltada para a rua; e, uma nova fachada voltada para áreas internas do convívio e conveniência que se assemelham às comodidades oferecidas pelos shopping centers, sem o inconveniente de viver em um espaço completamente artificial, sem laços com a memória e a cultura da cidade.
Nesse sentido, o interior das quadras continuará a ser um lugar privado, que permite o fechamento e controle de acesso durante à noite, mas aberto durante o dia, permitindo a dilatação da área de sociabilidade e mobilidade do cidadão.
Como reforça a equipe, nas cidades brasileiras o que falta é a qualificação do centro com o objetivo defazer com que o usuário, ao invés de ir ao shopping center pela comodidade de estacionamento, possa encontrar a mesma qualidade e segurança no centro histórico. Retirar o automóvel das ruas tem se mostrado uma maneira pouco eficiente (e um tanto saudosista) de garantir a sobrevivência do comércio local, enquanto que aumentar a capacidade de estacionamentos tende a ser uma solução mais simples e apropriada para o centro da cidade.
Esse processo aceito integralmente pela gestão atual, estabelece um grande desafio do ponto de vista da gestão, uma parceria público – privado na requalificação da cidade, ferramenta ainda pouco utilizada pelos municípios desde sua criação em 2001 pelo Estatuto das Cidades. A Prefeitura dará incentivos efetivos aos proprietários que adotarem tal sistema com o padrão de qualidade do projeto original. Em reunião com a Secretaria de Obras o número de benfeitorias que a Prefeitura pretende fazer, vai bem além de uma simples pavimentação universal e equipamentos básicos. A Prefeitura quer transformar o centro em um verdadeiro local altamente qualificado, oferecendo ao usuário postes com áudio e transmissão de internet gratuita, além de uma iluminação adequada para o pedestre.
O que efetivamente está sendo construído em Agudos é um projeto integrado de obras e normativas, a partir de formulações espaciais, que utilizam o projeto urbanístico como hipótese espacial e ato de modificação crítica. Dentro deste quadro, o projeto urbanístico, ao invés de repropor formas e estruturas do passado, concentra-se em criar espaços urbanos que possam dar complexidade e identidade ao tecido, permitindo a discussão sobre processos de produção de identidade e diferenciais na cidade. Para tal, o projeto do espaço urbano transforma-se no projeto do espaço público.
sobre a equipe do Grupo SITU
Coordenador: ProfºDrº Adalberto Retto Júnior Unesp Bauru (prof. do Master Erasmus Mundus da Universidade Sorbonne - Fr)
Vice-coordenadora: Profª Drª Marta Enokibara Unesp Bauru
Equpe Plano Diretor 2004/2006 – Plano Particularizado do Centro Histórico: Arq. Hugo do Nascimento Serra (Unesp Bauru), Arqta. Marilia Caetano (Unesp Bauru) e Arqta. Sheila Kajiwara (Unesp Bauru).
Equipe Plano Estrutural – Revisão 2012: Arq. Aline Akemi Taba Kanashiro (Unesp Bauru), Júlia Lobo (estagiária, Unesp Bauru), Eriton Tantini (estagiário, USC)