O Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou uma inversão importante na tendência de perda demográfica que era observada, desde 1980, em diversos locais do município de São Paulo. Nos dias de hoje, nota-se, com absoluta clareza, que o chamado centro expandido da cidade voltou a crescer. Com exceção de Alto de Pinheiros e Água Rasa, todos os distritos apresentaram taxas positivas de crescimento da população, o que resultou em um acréscimo de, aproximadamente, 175 mil habitantes entre 2001 e 2010.
Nesse período, somente a Subprefeitura da Sé, composta pelos oito distritos mais centrais do município (Bela Vista, Bom Retiro, Cambuci, Consolação, Liberdade, República, Santa Cecília e Sé), obteve um aumento de 57.192 habitantes. Os distritos que mais perderam população, entre 1991 e 2000, também apresentaram um crescimento positivo na última década, com destaque para os da região central da cidade: Pari (-3,95% a.a., no período 1991-2000, para 1,56% a.a., na década 2000-2010), Bom Retiro (de -3,35% a.a. para 2,45% a.a.), Sé (de -3,29% a.a. para 1,63% a.a.) e Brás (de -3,14% a.a. para 1,52% a.a.). Vale ressaltar, inclusive, que o distrito do Brás apresentava taxas negativas desde a década de 1950.
Já as maiores taxas anuais de crescimento da população paulistana foram registradas em Vila Andrade (5,6% a.a.), Anhanguera (5,54% a.a.), Vila Leopoldina (3,92% a.a.) e Morumbi (3,1% a.a.). Fora Anhanguera, a chegada de novos contingentes populacionais a esses distritos esteve associada, fundamentalmente, ao incremento da produção imobiliária residencial formal. Vila Andrade foi o distrito que sofreu o maior nível de verticalização, obtendo o maior acréscimo de área construída do tipo residencial entre 2002 e 2009. Vila Leopoldina, por sua vez, teve um aumento de 64,5% no mesmo período, com diminuição, até mesmo da área construída horizontal.
Ainda de acordo com o levantamento do IBGE, a densidade demográfica média em São Paulo, em 2010, era de 74,58 habitantes por hectare – resultado da distribuição dos mais de 11 milhões e 250 mil residentes pelo território de 1.509 km² do município. E é na região central que se localizam três dos cinco distritos com as maiores densidades: Bela Vista (267,15 hab/ha), República (247,74 hab/ha) e Santa Cecília (214,66 hab/ha).
A análise dos dados acima revela importantes indicadores do sucesso da atividade da indústria imobiliária nacional nos últimos anos. Em primeiro lugar, o levantamento mostra que o setor vem superando, com extraordinária competência, a histórica contradição entre o custo dos empreendimentos e a renda da população. Além disso, ela aponta que, ao longo da década de 2000, os projetos do setor e a verticalização foram os responsáveis diretos pelo incremento do uso residencial dos imóveis nos distritos mais centrais da cidade – onde já existe uma boa oferta de emprego, lazer e cultura. Por último, também é importante destacar que o processo de concentração verticalizada dos distritos paulistanos se coaduna com a visão de que a cidade não pode mais se expandir continuamente, desconsiderando os altos custos decorrentes da implantação de novas infraestruturas, inclusive daquela que dá suporte ao nefasto padrão de mobilidade centrado no automóvel e cujos efeitos negativos acabam sendo absorvidos, por todos os cidadãos, inclusive pelos que não possuem carros.
sobre o autor
Eduardo Della Manna é arquiteto, e coordenador-executivo da vice-presidência de Assuntos Legislativos e Urbanismo Metropolitano do Secovi-SP.