A cidade contemporânea se caracteriza pelas possibilidades que o progresso técnico permite. O Planejamento Urbano deve se adequar a uma dupla temporalidade: das rápidas transformações da sociedade e da lentidão de constituição do quadro construído.

O resultado formal de São Paulo nem sempre é exemplar. Dizer que é falta de planejamento é um jargão ultrapassado. Nossas pesquisas históricas mostram que planejamento em São Paulo sempre houve e seus planos urbanísticos e leis construíram uma cidade do capital, sem qualidade urbana. A perda de qualidade também pode ser associada à redução do protagonismo dos arquitetos comprometidos com ela. Além disso, apesar dos novos programas  habitacionais a população mais pobre ainda vive em favelas e cortiços e loteamentos irregulares.

Os empreendimentos imobiliários contemporâneos têm a tendência de se fechar para a cidade que incomoda e reproduzir as atividades de forma endógena. Mas é a circulação, a troca e a diversidade de vínculos que constitui a riqueza da cidade.

É falsa a dicotomia entre Planos e Projetos. Precisamos de planos compreensivos que permitam continuidade administrativa e projeção das necessidades futuras. Por outro lado projetos fragmentados transformam de forma efetiva pedaços da cidade que devem ser costurados, envolvendo a população.A questão é como construir Planos e Projetos com participação.

As classes médias urbanas estão começando a valorizar o seu patrimônio histórico, cultural e ambiental e estão se mobilizando para defendê-lo. Buscar uma cidade com qualidade depende de todos, mas primeiramente depende de um vinculo entre o cidadão e o espaço construído.

nota

NE
Publicação original: SOMEKH, Nadia. Novos empreendimentos imobiliários tem tendência de se fechar para a cidade. Caderno Cotidiano. Folha de S. Paulo, 22 nov. 2011, p. C3.

sobre a autora

Nadia Somekh é professora titular da FAU Mackenzie, conselheira do IAB / Conpresp e ex-presidente da Emurb (2002/2004).