Palas Atenas, ou Minerva, com as musas (detalhe), pintura de Hendrick van Balen the Elder, c.1620
Palas Atenas, ou Minerva, com as musas (detalhe), pintura de Hendrick van Balen the Elder, c.1620

“Não basta mais denunciar. Doravante precisamos enunciar. Não basta apenas relembrar a urgência é preciso começar”.
Edgar Morin, 2015 (1)

Foi com satisfação que recebemos a confirmação da eleição da Chapa 1 – CAU mais Plural, composta por 156 mulheres que elegeu com 40% dos votos 49 conselheiras estaduais para o CAU/SP conseguindo assim a vaga de São Paulo no CAU/BR, na segunda-feira passada.

No mundo contemporâneo, A profissão arquiteta(o) e urbanista não admite mais padrões congelados e imutáveis na sua regulação: é necessário entender que a dinâmica social, econômica, de comportamentos, consumo, trabalho, circulação – principalmente a partir desse momento de crise – afeta diretamente os conteúdos de atuação do arquiteto.

Estamos vivendo tempos de dilaceramentos, onde o confronto de ideias está posto de forma esgarçada, em um maniqueísmo improdutivo, violento e surdo.

Para isso precisamos configurar novos modos de agir politicamente, construindo pontes que unem lados opostos, que reconhece e dá valor aos dois lados das margens do rio.

Para atingir tais objetivos precisamos necessariamente mudar os modos de gestão do CAU. A trajetória do Conselho, apesar de curta – dez anos de existência –, carrega heranças de um passado que não nos pertence; não está vinculada à realidade da maioria das(os) arquitetas(os) e urbanistas, está defasada, atende a poucos, e não inclui – ao contrário, repele – os diversos profissionais que formam o universo da arquitetura.

A proposta da Chapa 1 recém-eleita para o triênio 2021-2023 é a de construção de uma nova via, instaurando no Conselho uma forma de se fazer gestão completamente diferente, com novos contornos, que se firme por uma ação horizontal, plural, democrática e colaborativa, de comunicação ampla e direta, ampliando assim os horizontes de ação do CAU no Estado de São Paulo, imprimindo uma ação redistributiva no território brasileiro.

A falta de representatividade de mulheres em entidades e cargos de comando não é um problema apenas da arquitetura e urbanismo ou do CAU, é uma questão da sociedade como um todo. Porém, em uma classe de profissionais cujo o número de mulheres é bastante superior ao dos homens (63,5% de mulheres arquitetas), o assunto requer maior atenção.

Constituímos, portanto, um grupo feminino, composto de mulheres com diversas práticas profissionais, origens, faixas etárias e raças.  Este novo contorno alternativo, possibilita a identificação e pertencimento de um espectro mais extenso de profissionais – pertencentes ou não ao Conselho – ampliando as pautas, os temas de discussão, gerando assim um maior interesse e envolvimento de todos com a instituição.

Nos unimos porque acreditamos na força e voz de uma frente de mulheres atuantes nos diversos campos de nossa profissão, que pensam de forma progressista e que buscam ampliar a conexão do CAU com a sociedade, para além da sua missão "primeira" de “orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo”.

O contexto atual demanda a revisão continuada de procedimentos, normas, regimentos e códigos do CAU, sem perder a integridade do Conselho, mas ampliando seu espectro de atuação ancorado na realidade do cotidiano da profissão.

Dar voz às arquitetas e aos arquitetos em plataformas participativas, conectar São Paulo, que concentra um terço dos arquitetos brasileiros, é uma das nossas perspectivas. Contribuir para ampliar a atuação daqueles que atuam na esfera pública, nas universidades e nos escritórios privados, e sensibilizar a sociedade da importância de seu trabalho; conferir prestígio social do nosso ofício, buscar uma ação mais social para o CAU através do diálogo e da coesão com as demais entidades de Arquitetura e Urbanismo é a proposta de ação que obteve 11.568 votos na última eleição do Conselho. Agradecemos a confiança em nós depositada e esperamos um trabalho produtivo nós próximos três anos.

nota

1
MORIN, Edgar. A via para o futuro da humanidade. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2013, p. 45.

sobre as autoras

Catherine Otondo, arquiteta e urbanista, conselheira estadual eleita para o CAU/SP pela Chapa 1 – CAU mais Plural, triênio 2021-2023.

Nadia Somekh, arquiteta e urbanista, conselheira federal eleita para o CAU/BR pela Chapa 1 – CAU mais Plural, triênio 2021-2023.