Há pouco tempo recebi de Túlio Mariante a notícia de que ele fecharia suas lojas Novo Desenho (no MAM Rio e no MAR) e passaria a cuidar do programa de design do MAM.

Sem achar bom que os museus deixassem de ter suas lojas, totalmente voltadas para o design brasileiro, fiquei bem contente com o fato de o MAM reconhecer a importância do design em sua equipe permanente.

Pois hoje fico sabendo que o novo diretor da instituição o tirou da equipe, alegando que design não fazia parte das prioridades da instituição.

Lamentável.

Inclusive porque o MAM foi sede de três Bienais de Desenho Industrial (1968, 1970 e 1972). Antes disso, Tomás Maldonado chegou a desenhar até mesmo maçanetas para o Museu e tentou lá estabelecer a escola Técnica de Criação.

Depois das Bienais, o designer Karl Heinz Bergmiller deu início ao Instituto de Desenho Industrial que, além de cuidar da expografia e de outros aspectos do Museu, não tardou a se revelar importante na condução de uma política para-governamental de design,

Nos últimos muitos anos, a loja de Túlio era parada obrigatória de todxs os que gostam de design e procuravam acompanhar a produção nacional.

Além disso, o arquivo do Museu tem vasto material sobre design brasileiro e sua equipe (tomara que continue a mesma) é impecável. Sei disso porque pesquisei por duas vezes na sede do Museu. Da primeira vez Luiz Camilo Osório era diretor da instituição e tudo facilitava para os pesquisadores, mesmo com obras dramáticas no edifício.

Há diretores e diretores.

sobre a autora

Ethel Leon é jornalista, pesquisadora, professora na área de história do design brasileiro e autora dos livros Memórias do design brasileiro, IAC – Primeira Escola de Design do Brasil, Michel Arnoult, design e utopia – móveis em série para todos e Design brasileiro – quem fez, quem faz.