Hoje, meio dia e três, WhatsApp, número desconhecido: Olá, boa tarde, gostaria de saber o valor das massagens. Seguido de uma carinha que eu acho fofa.

Eu estacionando o carro (na comercial mais estranha de Brasília, quem conhece sabe qual é...), atrapalhada, visualizo, não respondo, imaginando: sim, esses eventos, grupos terapêuticos, meu celular tá circulando, confundiu constelação com massagem, mapa astral com massagem, crônica com massagem...

Em seguida recebo uma interrogação. Interrogação ansiosa e até um pouco brava.

Estranho, reconsidero, escrevo educada e prudente: Olá! massagem? Acho que você está com o número errado.

Ele: Eu vi aqui na net, não é de massagens?

Eu (preocupada): O que você viu?

Ele: Toca das Gatas!

Eu (muito preocupada, alguém pegou meu número, minha foto, botou na net...): Não! Se meu telefone está aí, por favor preciso saber.

Ele: Vou te mostrar.

Eu (desesperada, pensando “meu número, minha foto, já devo estar nos cardápios de moças que se oferecem nos hotéis de Brasília”): Alguém está usando indevidamente meu número. Pode me passar um print?

Enquanto espero, estacionada, sigo imaginando: advogado, justiça, que trabalho! Meu Deus, contra quem? Essas coisas complicadas de internet, a verdade é que já era, caiu na rede, um monte de gente já viu... Bem disse uma amiga (num papo sério – para mim, é claro – sobre mudar de vida, viajar o mundo e me sustentar de algum jeito) que eu devia virar acompanhante de luxo (bem, Toca das Gatas não parece de luxo...). Virei e agora?...

Ele: Vixe, confundi o 6 com o 9. Foi mal!

Eu (aliviada, pensando “piada pronta confundir 6 com 9”): Melhor assim, já estava ficando preocupada!

[Concluo agora, sentada no sofá, depois de um dia cheio de adrenalina – não por isso – tensa que só, sem confusão nem confissão: preciso de uma massagem!]

sobre a autora

Ana Paula Bruno, escorpiana de 8 de novembro de 1976, graduada e doutora em arquitetura e urbanismo pela Universidade de São Paulo. Servidora pública, trabalhou na Prefeitura de São Paulo até 2009, quando mudou para Brasília para trabalhar no Ministério das Cidades, onde está até hoje. É filha de Iansã, apaixonada por pessoas, por cidades e pela língua portuguesa.