Ainda mais novo e brevíssimo conto de amor de casal fofo — branquinho, cheiroso, hétero e temente a Deus — de cariocas de bem.

1° ato – Durante viagem a França, em pleno verão europeu, na "Paris Plage"

Praia artificial no rio Sena, Paris
Praia artificial no rio Sena, Paris

— Caraca, Xú, Parishsh no verão é foda! Olhaê, noishshs na praia, quem diria!

— Sempre disse isso pra tu, Docinho! Ainda bem que dessa veishshsh te convenci a vim (sic) aqui! Irado, né?

— Poishshs eu não sabia dessa hishshtória de praia àshshs marrrgenshsh do Rio Sena! Sinishshtro! Chiquééérrimo!

— Padrão Europa, Docinho, padrão Europa! Aqui é a praia que vem, a prefeitura traishshs! E se liga na parada: é um ishshspaço democrático pra cacete, olha por aê, tem todo tipo de galera, de toda tribo, todo mundo só de boa na currrtição!

— Ahhhh, Xú! Minhashshshs amigashshshs nem vão acreditarrrr no meu bronze parisiense!

— Naiscida e criada em Ipanema e bronzeada em Parishshshs, ahahaha! Quer maishshshs vinho branco, Docinho?

— Quero, Xú, quero! Vinho francêishshshs é outro deparrrrrtamento!

2° ato – De volta ao Rio de Janeiro, no posto 9 da praia de Ipanema, Xú lê o jornal O Globo enquanto Docinho torra ao Sol

Praia de Ipanema, Posto 9, Rio de Janeiro
Praia de Ipanema, Posto 9, Rio de Janeiro

— Tô boladão, Docinho! Olha essa: "PM aborrrrda ônibushsh e recolhe adolescenteshshs a caminho dashshs praiashsh da zona sul do Rio"! Até que enfim esse goverrrnadorrr deu uma dentro!

— Pô, ainda bem, Xú! Imagina se esseshsh bandidushshs chegam aqui? É arrashshstão na cerrta!

— Ó, tenho nada contra a galera da periferia, Docinho, maishshs cada um no seu quadrado, nénão?

— Sóé! Passa maishshs óleo de urucum nashshs minhashshs coishshstashshs?

— Já é! Guentamão que vou só comprarr maishshs uma cerrrrveja...

— Cerrveja? Ahhh, que saudadeshshshs de tomarrr vinho na praia, Xú...

— Coé, Docinho, coé? Aê só em Parishshs, ahahaha... Cidade maneira, praia democrática mêrrrmo — ouuuutra parada!

E viveram no Leblon, coxinhas para sempre.

sobre o autor

Alexandre de Oliveira Périgo é um paulistano de 45 anos, pai da Clara e do Léo, que habita as Minas Gerais. Engenheiro e consultor de gestão empresarial desde que os continentes ainda estavam unidos, é também fotógrafo e escritor por amor. Outras paixões são livros, idiomas – se vira razoavelmente em sete –, basquete e curling.