A única coisa de bom em Niterói é a vista do Rio de Janeiro, diziam os cariocas. Será que madrilenhos e barceloneses não desdenhavam de modo similar com relação à Bilbao?A realidade é que as duas cidades, por intervenções razoavelmente semelhantes, guardadas as devidas proporções, se tornaram da noite para o dia o que se convencionou chamar de destinos turísticos, devido basicamente à inauguração do MAC em Niterói e do Guggenheim de Bilbao, ambos em 1996. Se criar um pólo de atratividade já não é fácil, o que dizer da criação de um destino, que muitos almejam e pouquíssimos conseguem.Em consequência, a postura dos cidadãos destas capitais de província mudou, ganharam auto-estima. As prefeituras das duas cidades rapidamente adotaram as silhuetas dos seus novos museus como suas logomarcas, como que dizendo: agora sim, temos algo para mostrar! A visitação intensa aos ícones arquitetônicos, incentivou muitas ações e intervenções nestas cidades, e talvez um dia os dois museus venham a ser algo a mais nas suas respectivas paisagens urbanas.

Será que podemos comparar os “efeitos” Bilbao e Niterói com a criação de outros emblemáticos museus em São Paulo (MASP) e Paris (Beaubourg), cidades que já eram destinos turísticos, São Paulo de negócios e Paris, o sonho de todos?Os quatro museus são assinados por renomados arquitetos, no auge de seus processos criativos, com desenhos marcantes, uso de tecnologias avançadas e com conteúdo expositivo (exceto o MAC de Niterói) de primeiríssima qualidade.
Após os momentos de glória pós-inauguração, a peregrinação vai aos poucos diminuindo e a parada obrigatória tende a se transformar em um ponto a mais no cardápio turístico das grandes cidades. Em metrópoles como Paris, Nova York, Londres, Buenos Aires e São Paulo aparecem inúmeros outros pontos focais, e muitos destes são novos museus, ou antigos renovados. Os múltiplos meios de comunicação que temos hoje, em um item se igualam, exigem novidades. É cruel perguntar a um museu como o MASP, com um acervo excepcional, o que há de novo?No entanto, com o passar do tempo, esta comprovada a necessidade de mudanças, no mínimo um bom polimento, para reavivar o brilho de cada museu ou instituição do gênero. A concorrência é enorme e os novos espaços com arquitetura significativa e dinâmica no gerenciamento operacional, acabam atendendo aos anseios de consumo rápido da mídia, e do público por extensão.O balzaqueano Centro Georges Pompidou, que acabou de completar 30 anos, passou por uma enorme repaginação, fazendo de tudo para se manter como o terceiro maior ponto de visitação da capital francesa, atrás somente da Torre Eiffel e do Museu do Louvre. O Beaubourg também entrou na era da geração de filhotes, seguindo o sucesso do modelo Guggenheim, já programou novas unidades na própria França em Metz, e no oriente em Shangai, c’est la vie.

O MASP sempre teve um papel importantíssimo em São Paulo e desde que foi inaugurado em 1947 no centro novo da capital, era “o Museu” da cidade. Quando se transferiu em 1968, para a avenida Paulista, transformou-se num ícone da metrópole, que queria se mostrar moderna. Na nova edificação havia uma faixa, que demonstrava o orgulho dos paulistanos, onde estava escrito: este é o maior vão livre em concreto armado do mundo. E para quem não sabe, a Rainha da Inglaterra participou da inauguração. Transcorridos tantos anos, não mudou o MASP nem a Rainha Elizabeth II.

Enquanto aguardamos e torcemos pela consolidação de Niterói como destino turístico, o carioca Oscar Niemeyer, criador do MAC, merece ser homenageado pela Embratur, como o maior gerador de pólos de turismo do Brasil (excluídos os naturais), afinal muito antes do “efeito” Niterói, ele deixou sua marca nos “efeitos” Pampulha, Ibirapuera, Brasília e Sambódromos, sem dúvida, alguns dos grandes sucessos turísticos nacionais, de crítica e de público.

sobre o autor

Michel Gorski, arquiteto, editor do website Arquiteturismo, escreve a coluna "Turista na sua cidade" na revista Host.